Suspenso por vigas de alvenaria, o imóvel é anualmente visitado pelas cheias do vizinho Rio Acre, um tormento que se repete há cerca de 30 anos na vida dos Silva. “Se a Marina ganhar para presidente, não vai deixar mais papai aqui neste bairro. Vai achar que também é demais, né? O que é que o povo não vai dizer: ‘ela ganhou, o pai dela continua ali, no alagado, e ela não está fazendo pelo pai. Vai fazer por alguém?’”, questiona Maria. Ela conta que Marina tem pelejado para que seu Pedro – um ex-soldado da borracha, que por mais de 30 anos tirou o sustento dos seringais – finalmente aceite sair do local. Em vão.

O pai prefere ficar perto da família, que vive, em sua maioria, na capital acriana e arredores. Duas irmãs moram em pequenas colônias na zona rural. O único irmão é instrutor de autoescola na cidade. Numa das últimas enchentes, a água ficou a um palmo de invadir o pavimento de cima, o que fez a presidenciável viajar à cidade, na tentativa de tirar o pai do local. “Ela veio e pediu para ele sair, mas papai é uma pessoa que, quando quer fazer uma coisa, não tem ninguém que tire”, afirma Maria, lembrando que a ex-ministra, diante da recusa, comprou madeira para o caso de ser necessário subir os móveis.
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